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Chau, Burrito

Chau, Burrito

Chau, Burrito

POR MLAGATTO

Nem as cores gloriosas, nem a torcida que o idolatra, nem a alegria do 33ro. título recém conquistado, nem a tranqüilidade de terminar a carreira fazendo o que mais gosta, em sua pátria e em sua casa. O álcool pôde mais, lamentavelmente. Essa terrível adição à mais barata das drogas, e que já fez Ariel Ortega perder jogos, dinheiro e amigos, teve mais força.

Quem precisa de ajuda, antes que nada deve também se ajudar. Para mostrar que o bate-boca entre eles estava superado, Simeone deu a Ortega a faixa de Capitão, uma grande responsabilidade, perante o clube e seus companheiros. Não adiantou muito: semana passada, mais uma vez, Ortega faltou sem aviso ao treinamento. Para piorar, repórteres o flagraram saindo embriagado de um clube noturno, de madrugada, a uma hora em que qualquer atleta sério estaria descansando. Com razão, o DT Diego Simeone o separou do plantel. River lhe ofereceu um muito necessário tratamento para superar sua adição, mas Ariel o recusou. Foi a gota d’água. Depois de quase fechar com o Al Ain dos Emirados Árabes, River acabou cedendo seu camisa 10 em empréstimo para Independiente Rivadavia de Mendoza. Desta forma, triste, encerra-se um ciclo, provavelmente o último, de Ortega em River.

Assim, Orteguita se livra dos que insistiam em interná-lo numa clínica de recuperação e, de quebra, embolsa uma diferença em dinheiro. Não obstante, a reabilitação terá que ser feita de qualquer forma, pois Ortega será obrigado a ir duas vezes por semana a Santiago de Chile para submeter-se ao tratamento. Para o clube mendocino, o empréstimo de Ortega e o tratamento de recuperação representa grande esforço financeiro, com um enorme risco de fracasso dado o histórico de indisciplina do jogador.

Tudo leva a crer que o gatilho de sua decisão foi a relação difícil com Simeone que, com razão, não tolera suas faltas e sua indisciplina, ou então que estava mais interessado em embolsar uma soma de dinheiro. Por um ou por outro, o pior seria que Ortega tenha tomado sua decisão achando que, uma vez em Mendoza, poderá fazer o que bem entende, faltar aos treinamentos, e se embebedar sem que ninguém o incomode. Deve pensar que ainda é jovem e tem muito tempo pela frente. Se este for o verdadeiro motivo, não é preciso ser muito inteligente para ver que está errado. Sua carreira está numa etapa em que, cada vez mais, precisa somar seriedade e disciplina ao seu inegável talento.

Em Mendoza, o máximo a que Ariel Ortega poderá aspirar é uma relação profissional convencional, sem essa quota extra de tolerância de que tanto abusou por aqui. Não poderá contar com amigos como Daniel Passarella e outros companheiros que tanto o apoiaram e defenderam. Não terá por perto pessoas compreensivas que possam lhe servir de suporte nas horas críticas. Orteguita estará sozinho consigo mesmo. Como ninguém rasga dinheiro, é de se esperar que seus novos patrões não tenham muita paciência com suas recaídas. É provável que, assim que os problemas recomeçarem, Orteguita se veja obrigado a fazer as malas e tomar o avião de volta. Ortega não poderia sair de River em pior situação.

Chau, Burrito, que os ares mendocinos te façam bem, e que você possa superar esse terrível mal que já arruinou a vida de tanta gente.


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