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A máquina de moer carne

A máquina de moer carne

A máquina de moer carne

POR MLAGATTO

É nisto que River parece ter se transformado nos últimos anos. Os DTs se sucedem, mas nenhum parece realmente confortável na posição. Glórias do clube – Astrada, Merlo, Passarella – passam pelo cargo e saem com seu prestígio arranhado. Mesmo o último DT campeão, Leonardo Astrada, foi forçado a sair na esteira da crise gerada pela eliminação na copa continental daquele ano. 

A situação não é diferente com jogadores referentes do time: sistematicamente, a falta de conquistas força sua saída, muitas vezes prematura, obrigando o clube a reformular uma e outra vez a equipe. Montenegro, Figueroa, Gallardo, Farias, Belluschi, etc. são alguns dos profissionais que deixaram recentemente o clube num clima pouco harmônico.

Qual a razão da frustração que nos afeta? Com 32 títulos, River é o maior campeão do futebol argentino. Três vezes tricampeão, poderia ficar vários anos sem ganhar um campeonato – de fato, chegou a ficar 18 anos “na fila” - e ainda assim não seria alcançado pelo segundo colocado. Não haveria motivos, então, para crise, que em River parece estar sempre atrás da porta.

Dando uma rápida volta pelo mundo, vemos que o Bayern de Munique acaba de celebrar seu 20° campeonato. Na França, o Olympique de Marselha conquistou o torneo local 18 vezes. Na Espanha, o Real Madrid tem 31 títulos. Em Portugal, o Sporting tem 15. Na Inglaterra, os três primeiros são Liverpool (18), Manchester United (17), e Arsenal (13).

Então, qual o problema de River? O que já disse várias outras vezes: a falta de um maior número de conquistas internacionais. A esta altura, 2 Copas Libertadores (’86 e ’96), e 1 Copa Intercontinental (’86) não são suficientes para River, dono da camisa mais “pesada” da Argentina. É natural que o torcedor se sinta frustrado.

Conquistas internacionais, além de trazer dinheiro em forma de prêmios que reforçam o caixa, elevam o prestígio do clube, permitem aumentar as cotas de patrocínio, e obter um melhor valor pelos seus jogadores. Simples e óbvio.

O que falta? Planejamento de longo prazo. Não adianta sonhar com repatriar jogadores que estão há muito tempo na Europa e gostariam de ficar mais alguns anos por lá.

Em tempos de Euro muito valorizado, o bom negócio para qualquer clube sul-americano é formar equipes competitivas com pouco dinheiro, ganhar títulos que valorizem seus jogadores, vendê-los por preços superiores, e reformular a equipe para começar o ciclo de novo.

O futebol, hoje, é muito mais showbusiness que esporte propriamente dito. O esporte precisa existir para que o showbusiness realize seus lucros. Enquanto o planejamento de longo prazo não for feito, River continuará sendo essa máquina de moer técnicos e jogadores, sem qualquer benefício.


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